Introdução: O desmatamento no Brasil impõe sérios desafios à conservação da biodiversidade, demandando estratégias céleres e eficazes para a recuperação de ecossistemas florestais degradados. Espécies arbóreas da família Fabaceae, como a bracatinga (Mimosa scabrella), destacam-se pelo rápido crescimento e pela fixação biológica de nitrogênio no solo, desempenhando papel crucial na facilitação ecológica. No entanto, sua propagação sexuada enfrenta a limitação da dormência física tegumentar, que restringe a embebição e retarda a emergência em campo. A presente pesquisa representa a Fase II de um projeto iniciado com a bracatinga, estendendo agora a avaliação para outras leguminosas florestais nativas com potencial restaurador na região subtropical brasileira. Objetivos: O estudo visa avaliar o desenvolvimento inicial e a eficácia da germinação de sementes submetidas a tratamento térmico de quebra de dormência, comparando a resposta de mudas de Mimosa scabrella com as espécies Erythrina mulungu (mulungu), Caesalpinia pluviosa (sibipiruna) e Inga edulis (ingá), averiguando a viabilidade de padronização do manejo pré-germinativo interespecífico em ações de restauração. Materiais e Método: Adota-se uma abordagem quantitativa, experimental e aplicada, conforme classificação metodológica de Gil. As unidades experimentais consistem em lotes de sementes das quatro leguminosas selecionadas. O delineamento baseia-se na aplicação uniforme do protocolo térmico pré-estabelecido na Fase I: imersão controlada das sementes em água a 80 °C, seguida de repouso por 18 horas no mesmo meio líquido, mantendo a bracatinga como grupo-controle. Serão quantificados a taxa percentual de germinação, o índice de velocidade de emergência, a sincronia de germinação e o vigor do desenvolvimento vegetativo inicial das plântulas. Resultados: Os experimentos de campo e viveiro encontram-se em fase de condução e coleta sistemática de dados. Estima-se a determinação comparativa da sensibilidade tegumentar e embrionária de cada espécie perante o estresse hidrotérmico, identificando quais táxons respondem positivamente ao tratamento térmico sem apresentar fitotoxicidade ou letalidade tecidual. Os dados preliminares apontam potencial diferenciação nas taxas de superação da dormência, subsidiando parâmetros operacionais para a produção de mudas florestais. Considerações Finais: A consolidação de um método térmico único e seguro, isento de reagentes químicos perigosos como ácidos corrosivos, tem grande relevância prática. Esse protocolo facilita o manejo em viveiros comunitários e viabiliza plantios de enriquecimento ambiental com maior diversidade funcional, acelerando a revegetação e contribuindo diretamente para as metas climáticas e de preservação terrestre.
Palavras-chave: Quebra de dormência; Germinação de sementes; Leguminosas nativas; Recuperação florestal.
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