Introdução: A indústria têxtil é uma das mais poluentes do mundo, gerando cerca de 170 mil toneladas de resíduos por ano no Brasil, em sua maioria descartados de forma inadequada. O poliestireno expandido (EPS), muito usado em embalagens, é outro resíduo urbano de difícil decomposição e reciclagem inviável. Somam-se a isso as habitações populares sem isolamento térmico adequado. Diante desse cenário, a primeira fase desta pesquisa desenvolveu a placa RETEISO, isolante produzido com tecidos sintéticos descartados e EPS dissolvido em D-limoneno, solvente natural e biodegradável, com custo inferior a R$ 10,00 por metro quadrado. Restava investigar seu desempenho frente a um isolante comercial consolidado. Objetivos: Assim, esta segunda fase objetiva ampliar a caracterização da placa RETEISO por meio de ensaios comparativos com uma placa comercial de lã de vidro, avaliando seu desempenho térmico, sua capacidade de isolamento acústico e sua resistência à exposição direta ao fogo. Materiais e Método: Para isso, adotou-se abordagem experimental e quantitativa. Produziu-se um novo protótipo com 15 mm de espessura, equivalente à da lã de vidro de referência, triplicando-se as quantidades de EPS e tecido. O ensaio térmico comparou três recipientes idênticos, cobertos por RETEISO, por lã de vidro e sem isolamento, sob lâmpada halógena de 120 W, com registro de temperatura a cada segundo durante 10.000 segundos. O ensaio acústico ocorreu em sala de estúdio tratada, com ruído marrom e medição por decibelímetro durante três minutos em cada condição. O ensaio de inflamabilidade expôs as placas à chama direta de fogareiro a gás por até cinco minutos. Resultados: Os ensaios revelaram que o RETEISO apresentou variação térmica de 3,4 °C, inferior à da lã de vidro, de 4,2 °C, e à condição sem isolamento, de 7,3 °C. No ensaio acústico, ambos os materiais reduziram o nível de pressão sonora em cerca de 11 dB, com diferença inferior a 1 dB entre si. Na inflamabilidade, a lã de vidro não entrou em combustão, enquanto o RETEISO resistiu por 4 minutos e 55 segundos antes de iniciar a queima. Considerações Finais: Conclui-se que o RETEISO alcança desempenho térmico e acústico equivalente ou superior ao de um isolante comercial, com custo menor e composição integralmente reciclada. A menor resistência ao fogo aponta a incorporação de retardantes de chama como próximo passo, ampliando a viabilidade do material como solução sustentável e acessível para a construção civil.
Palavras-chave: Poliestireno expandido; Isolamento termoacústico; Economia circular; Construção sustentável.
Votação encerrada.