Introdução: A busca por alternativas no tratamento da dor crônica justifica-se pela crise do uso de opioides e pelas limitações das terapias convencionais. O Canabidiol (CBD) destaca-se por interagir com o Sistema Endocanabinoide (SEC) sem produzir os efeitos psicotrópicos característicos do THC. A hipótese do trabalho assume que o CBD apresenta eficácia superior ao placebo e um perfil de segurança favorável no alívio nociceptivo em humanos, embora a resposta clínica oscile conforme a dosagem e a etiologia. Socialmente, o estudo justifica-se pela necessidade de mitigar riscos de dependência e fundamentar práticas clínicas seguras contra o uso empírico. O objetivo geral consiste em analisar, via literatura científica, o potencial terapêutico do CBD na redução da dor crônica e na promoção da qualidade de vida. Objetivos: Analisar o uso do Canabidiol como estratégia no manejo da dor crônica. Especificamente, buscou-se identificar os mecanismos fisiológicos de ação no sistema endocanabinoide, avaliar a incidência e severidade dos efeitos adversos relatados para determinar seu perfil de segurança, e discutir as limitações das evidências atuais, incluindo variações de dosagem e vias de administração. Materiais e Método: Estudo descritivo, exploratório e qualiquantitativo, estruturado como uma revisão narrativa da literatura. A coleta de dados incluiu artigos indexados no PubMed e SciELO, livros especializados e documentos institucionais da Anvisa e da National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine. A análise contemplou a fundamentação teórica sobre os receptores do SEC e a compilação de dados estatísticos de ensaios clínicos prévios relativos a taxas de eficácia e eventos adversos. Resultados: A literatura demonstra que o CBD atua como modulador alostérico negativo dos receptores CB1 e CB2, além de interagir com receptores TRPV1 e 5-HT1A, promovendo ações analgésicas e anti-inflamatórias. Constatou-se redução na liberação de glutamato e citocinas pró-inflamatórias, atenuando a sensibilização central em dores neuropáticas e osteoarticulares. A biodisponibilidade oral apresentou baixos índices (6% a 19%) devido ao metabolismo de primeira passagem hepática. Os efeitos colaterais reportados mostraram-se predominantemente leves (sonolência, fadiga, alterações no apetite e elevações transitórias de transaminases), ratificando um perfil de segurança superior ao dos opioides. Considerações Finais: O estudo conclui que o CBD se consolida como uma promissora alternativa coadjuvante no manejo da dor crônica. Sua ação multialvo oferece analgesia sem risco de dependência ou depressão respiratória. Contudo, a heterogeneidade das dosagens e a variabilidade na biodisponibilidade representam desafios operacionais, exigindo a realização de ensaios clínicos padronizados e individualizados para a consolidação de protocolos terapêuticos.
Palavras-chave: Canabidiol; Dor crônica; Sistema endocanabinoide; Fitocanabinoides; Terapia coadjuvante.
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