Introdução: O uso indiscriminado de poliestireno expandido (isopor) gera graves impactos ambientais devido à sua lenta decomposição (até 700 anos) e às baixas taxas de reciclagem. Resíduos lignocelulósicos agroflorestais surgem como alternativas para embalagens biodegradáveis. A grimpa de araucária, rejeito abundante no Sul do Brasil, possui estrutura rica em celulose e lignina, enquanto os resíduos de mandioca fornecem matrizes amiláceas de baixo custo. A adição de nanocelulose otimiza a coesão do material. A Fase II do estudo avalia as características físico-químicas, mecânicas e de biodegradabilidade do compósito, determinando o efeito do nanorreforço na estrutura final. Objetivos: O objetivo geral consistiu em desenvolver e caracterizar físico-química e mecanicamente bandejas biodegradáveis (ECOGRIMPA) de grimpa de araucária e resíduos de mandioca reforçados com nanocelulose. Especificamente, buscou-se mapear a composição lignocelulósica da grimpa, avaliar a resistência à flexão e a elasticidade (norma ASTM D790), examinar a microestrutura interfacial via Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) e analisar a molhabilidade e a estabilidade térmica do material. Materiais e Método: A metodologia experimental conduziu-se nos laboratórios da UFPR (GNANOAGRO). As grimpas e os resíduos de mandioca foram limpos, secos, moídos e peneirados (40–60 mesh). A caracterização química da grimpa aferiu teores de extrativos, lignina, holocelulose e cinzas. Para a moldagem, preparou-se uma suspensão aquosa com fécula, nanocelulose e glicerol, aquecida entre 75 °C e 85 °C para gelatinização do amido, à qual foram incorporadas as fibras sob agitação. As bandejas foram formadas por prensagem a quente. Os ensaios de flexão e elasticidade (ASTM D790) utilizaram máquina universal EMIC. Analisaram-se também molhabilidade, termogravimetria (TGA), microscopia e cinzas. Resultados: A MEV demonstrou que a gelatinização do amido proporcionou forte adesão interfacial entre a matriz amilácea e as fibras da grimpa. Nos ensaios mecânicos, a formulação CMG atingiu a maior resistência à flexão (~3,4 MPa), e o módulo de elasticidade alcançou cerca de 185 MPa, garantindo rigidez adequada. O arranjo GMC apresentou comportamento mais dúctil antes do rompimento. TGA, teor de cinzas e molhabilidade confirmaram a estabilidade térmica e a viabilidade do compósito para embalagens. Considerações Finais: A pesquisa comprovou a viabilidade técnica e ambiental do compósito para substituir embalagens de isopor, promovendo a bioeconomia circular. Recomenda-se para trabalhos futuros a finalização de testes microbiológicos, aplicação de revestimentos impermeabilizantes e otimização para escala industrial.
Palavras-chave: Casca de mandioca; Grimpa de araucária; Bandeja biodegradável; Nanocelulose; Bioeconomia circular
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