Introdução: A cafeicultura brasileira enfrenta diversos desafios relacionados ao manejo de
pragas, entre os quais se destaca o ácaro-vermelho do cafeeiro (Oligonychus ilicis).
Essa espécie alimenta-se dos tecidos foliares, provocando redução da atividade
fotossintética, enfraquecimento das plantas e prejuízos à produtividade das lavouras
(FRANCO et al., 2008). O controle dessa praga é realizado predominantemente por
meio de acaricidas químicos sintéticos, que, embora eficientes, apresentam limitações
relacionadas ao custo de aquisição, à possibilidade de seleção de organismos
resistentes e aos impactos ambientais decorrentes de sua utilização contínua
(FRANCO, 2014).
Essa realidade torna-se ainda mais significativa no contexto da agricultura
familiar, em que muitos produtores possuem recursos limitados para aquisição de
defensivos agrícolas convencionais. Além do aspecto econômico, existe uma
crescente preocupação com a necessidade de práticas agrícolas mais sustentáveis,
capazes de reduzir os impactos ambientais associados ao uso intensivo de produtos
químicos.
Paralelamente, a cadeia produtiva do café gera grandes quantidades de
resíduos agroindustriais, especialmente a casca de café. Apesar do potencial de
reaproveitamento desse material, parte significativa desses resíduos ainda é
descartada ou utilizada de forma limitada, representando uma oportunidade pouco
explorada para a geração de produtos de valor agregado (MUSSATTO et al., 2011;
MURTHY; MADHAVA NAIDU, 2012).
Diante desse cenário, surge o seguinte problema de pesquisa: uma
formulação agroecológica produzida a partir da casca de café associada a insumos
naturais pode contribuir para o controle do ácaro-vermelho do cafeeiro (Oligonychus
ilicis), constituindo uma alternativa sustentável aos acaricidas convencionais?
A presente pesquisa justifica-se pela necessidade de desenvolver soluções
ambientalmente responsáveis, economicamente acessíveis e cientificamente
fundamentadas para o manejo de pragas agrícolas. O projeto propõe o
reaproveitamento de um resíduo abundante da cadeia cafeeira na elaboração de um
bioinsumo com potencial aplicação no controle do ácaro-vermelho, promovendo
simultaneamente a valorização de resíduos agroindustriais e a redução da
dependência de defensivos químicos sintéticos.
Além da relevância ambiental, a proposta apresenta potencial impacto social
e econômico, especialmente para pequenos produtores rurais, ao oferecer uma
alternativa de baixo custo e fácil obtenção. Sob a perspectiva científica, o estudo
contribui para ampliar o conhecimento sobre o potencial de utilização da casca de café
em formulações voltadas ao manejo agroecológico de pragas, fornecendo evidências
experimentais que podem subsidiar pesquisas futuras.
Por fim, o projeto está alinhado aos princípios da economia circular e aos
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, especialmente a ODS 2
(Fome Zero e Agricultura Sustentável), a ODS 12 (Consumo e Produção
Responsáveis), a ODS 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima) e a ODS 15
(Vida Terrestre), ao propor uma solução inovadora que integra sustentabilidade,
reaproveitamento de resíduos e fortalecimento da agricultura sustentável. Objetivos: OBJETIVO GERAL Desenvolver e avaliar experimentalmente a eficácia do E.P.C., um acaricida agroecológico à base de casca de café, no controle do ácaro-vermelho do cafeeiro (Oligonychus ilicis), promovendo o reaproveitamento de resíduos agroindustriais e contribuindo para o desenvolvimento de alternativas sustentáveis para o manejo de pragas na cafeicultura. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Investigar, por meio da literatura científica, os impactos do ácaro-vermelho do cafeeiro (Oligonychus ilicis) na cultura do café e as possibilidades de controle por meio de produtos naturais; • Analisar o potencial de reaproveitamento da casca de café como matéria-prima para o desenvolvimento de um bioinsumo agrícola; • Desenvolver e padronizar uma formulação agroecológica à base de casca de café associada a insumos naturais de baixo custo; • Avaliar experimentalmente a eficácia da formulação no controle do ácaro vermelho do cafeeiro; Comparar os níveis de infestação observados entre plantas tratadas e plantas não tratadas (grupo controle); • Verificar a ocorrência de possíveis efeitos fitotóxicos nas plantas submetidas à aplicação da formulação; • Avaliar a viabilidade ambiental, econômica e prática da utilização do E.P.C. como alternativa sustentável para o manejo de pragas agrícolas; • Incentivar a aplicação dos princípios da sustentabilidade e da economia circular por meio da valorização de resíduos gerados pela cadeia produtiva do café. Materiais e Método: A pesquisa caracterizou-se como experimental, de abordagem quali quantitativa, sendo desenvolvida entre fevereiro e abril de 2026 no Colégio SESI de Santo Antônio da Platina – PR. O estudo teve como objetivo desenvolver e avaliar a eficácia do E.P.C., um acaricida agroecológico formulado a partir da casca de café para o controle do ácaro-vermelho do cafeeiro (Oligonychus ilicis). Inicialmente, foi realizada revisão bibliográfica sobre a biologia do ácaro vermelho, os impactos causados por essa praga na cafeicultura, o uso de bioinsumos agrícolas e o potencial de reaproveitamento de resíduos da cadeia produtiva do café. Com base nessas informações, foram conduzidos testes preliminares para definição da formulação. Após sucessivos ajustes, definiu-se como composição final do E.P.C. a mistura de 250 g de casca de café triturada, 250 mL de vinagre, 50 g de canela em pó, 50 mL de óleo mineral e enxofre. Os componentes foram homogeneizados até obtenção de uma formulação adequada para aplicação por pulverização. Para avaliação da eficácia do produto, foram utilizadas plantas de cafeeiro naturalmente infestadas por ácaros, divididas em grupo tratado e grupo controle. O E.P.C. foi aplicado por pulverização manual diretamente sobre as folhas das plantas tratadas, buscando cobertura uniforme da superfície foliar. O acompanhamento ocorreu durante aproximadamente duas semanas, período em que foram realizadas observações periódicas da infestação, do estado fitossanitário das folhas e da ocorrência de possíveis sinais de fitotoxicidade. A eficácia da formulação foi avaliada por meio da comparação entre os grupos tratado e controle, considerando a redução da infestação e a evolução dos danos foliares. Os dados observados foram registrados em diário de bordo e analisados de forma comparativa. Além da eficácia biológica, foram considerados aspectos relacionados à viabilidade ambiental, econômica e prática da formulação, bem como seu potencial de aplicação por pequenos produtores rurais. Resultados: A aplicação experimental do E.P.C. permitiu avaliar seu potencial no controle do ácaro-vermelho do cafeeiro (Oligonychus ilicis) em plantas naturalmente infestadas. Após aproximadamente duas semanas de acompanhamento, observou se redução de cerca de 70% da infestação nas plantas tratadas. Em contrapartida, as plantas do grupo controle apresentaram manutenção ou agravamento dos danos foliares, evidenciando diferenças entre os grupos avaliados. Os resultados indicam que a formulação desenvolvida possui potencial para contribuir com o manejo do ácaro-vermelho, promovendo redução da infestação e melhora das condições fitossanitárias das plantas. Além disso, não foram observados sinais severos de fitotoxicidade durante o período experimental, sugerindo compatibilidade preliminar da formulação com o cafeeiro nas condições avaliadas. Considerações Finais: Os resultados obtidos permitiram concluir que o E.P.C., desenvolvido a partir da casca de café associada a insumos naturais, apresentou potencial para o controle do ácaro-vermelho do cafeeiro (Oligonychus ilicis). A redução observada da infestação nas plantas tratadas, em comparação ao grupo controle, indica que a formulação pode contribuir para o manejo dessa praga e representa uma alternativa promissora aos métodos convencionais de controle. Os objetivos propostos foram alcançados, contemplando o desenvolvimento da formulação, sua aplicação experimental e a avaliação preliminar de sua eficácia. Além disso, o estudo evidenciou a viabilidade do reaproveitamento da casca de café como matéria-prima para a produção de um bioinsumo agrícola, agregando valor a um resíduo abundante da cadeia cafeeira e promovendo práticas alinhadas à sustentabilidade e à economia circular. Outro aspecto relevante refere-se ao potencial de aplicação da formulação por pequenos produtores rurais, considerando a disponibilidade dos materiais utilizados e o baixo custo de produção. Dessa forma, o projeto apresenta contribuição ambiental, social e econômica, ao incentivar alternativas mais sustentáveis para o manejo de pragas agrícolas. Embora os resultados obtidos sejam promissores, novas etapas de pesquisa são necessárias para ampliar a validação científica da formulação, incluindo a realização de testes com maior número de amostras, avaliações quantitativas padronizadas e comparações com produtos comerciais. Ainda assim, os resultados alcançados demonstram que o E.P.C. possui potencial para contribuir com o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas à agricultura sustentável.
Palavras-chave: Oligonychus ilicis, Bioinsumo agrícola, Casca de café
Votação encerrada.