Introdução: O estudo analisou a relação entre a hiperestimulação tecnológica, a liberação de dopamina e a busca por gratificação imediata durante a adolescência, investigando como esse padrão afeta o desenvolvimento do cérebro. A pesquisa pauta-se no fato de que o córtex pré-frontal — área responsável pelo controle inibitório e tomada de decisões — permanece em desenvolvimento nessa fase, enquanto os circuitos emocionais e de recompensa apresentam alta responsividade. Nesse cenário, o uso de redes sociais e plataformas digitais atua diretamente sobre o sistema dopaminérgico mesocorticolímbico, podendo comprometer atividades que exigem atenção prolongada. Objetivos: O objetivo geral foi analisar, sob a perspectiva neurocientífica, o impacto da hiperestimulação tecnológica no sistema de recompensa e nas funções executivas dos adolescentes. Especificamente, buscou-se compreender a neurobiologia da dopamina, analisar as particularidades do cérebro adolescente, identificar os mecanismos persuasivos das plataformas digitais, discutir os efeitos na atenção e no controle de impulsos, e propor reflexões para um uso consciente da tecnologia. Materiais e Método: da em literatura científica sobre neurociência, psicologia cognitiva e desenvolvimento cerebral. A consulta envolveu artigos, livros e teses em plataformas como PubMed, SciELO, Google Scholar e Periódicos CAPES, utilizando descritores em português e inglês como “dopamina”, “sistema de recompensa”, “hiperestimulação digital” e “funções executivas”. A análise foi estruturada em cinco eixos teóricos principais, sem a realização de experimentos diretos com seres humanos. Resultados: A revisão bibliográfica revelou que recursos como notificações, vídeos curtos, scroll infinito e curtidas ativam repetidamente a via mesocorticolímbica, estimulando a busca constante por novidades. Esse padrão de recompensa imediata e imprevisível contrasta com atividades escolares e cognitivas que dependem de gratificação tardia, correlacionando-se a dificuldades de atenção sustentada e autorregulação. Contudo, destacou-se que tais efeitos não dependem exclusivamente da dopamina, resultando de uma complexa interação entre fatores neurobiológicos, psicológicos e sociais. Considerações Finais: Conclui-se que a vulnerabilidade neurobiológica do cérebro adolescente o torna propenso aos apelos da hiperestimulação digital, o que exige um olhar atento para o desenvolvimento das funções executivas. Compreender esses processos é fundamental para embasar estratégias educativas e de mediação no ambiente escolar e familiar, promovendo o uso equilibrado e consciente das ferramentas digitais. Pesquisas futuras poderão avaliar intervenções práticas de regulação do tempo de tela e seus impactos nos indicadores de atenção de adolescentes.
Palavras-chave: Dopamina; Sistema de recompensa; Adolescência; Hiperestimulação tecnológica; Funções executivas.
Votação encerrada.