Introdução: O equilíbrio ecológico em agroecossistemas urbanos e hortas pedagógicas depende de redes tróficas complexas. Nesses ambientes, a proliferação de insetos fitófagos pode comprometer as culturas, contudo, a regulação populacional dessas pragas ocorre espontaneamente pela ação de inimigos naturais: predadores, parasitoides e patógenos entomopatogênicos. Diante dos severos impactos socioambientais decorrentes do uso de defensivos sintéticos, o Controle Biológico Conservativo consolida-se como uma estratégia sustentável e viável. A horta do Colégio da Polícia Militar do Paraná (CPM-PR), em Curitiba, PR, configura-se como um laboratório vivo ideal para investigar essas interações, promovendo a transição agroecológica e a alfabetização científica. Objetivos: O objetivo geral foi avaliar a ocorrência e a dinâmica de regulação populacional exercida por predadores, parasitoides e patógenos sobre espécies de insetos fitófagos na horta do CPM-PR, identificando o potencial do controle biológico espontâneo local. Especificamente, buscou-se quantificar os fitófagos, triar inimigos naturais associados em laboratório e mensurar os percentuais de controle natural sob o clima de Curitiba, PR. Materiais e Método: Adotou-se uma metodologia mista (qualitativa e quantitativa), com caráter descritivo, explicativo, de campo e experimental. A amostragem foi executada na horta por meio de busca ativa, inspeção foliar direta, redes e armadilhas. Os fitófagos coletados vivos foram levados ao laboratório em recipientes acrílicos para monitoramento da emergência de parasitoides e sintomas de patógenos (como Beauveria bassiana). Paralelamente, os predadores (como Coccinellidae e Chrysopidae) foram quantificados em planilhas. Os dados tabulados permitiram calcular as taxas de parasitismo, predação e mortalidade. Resultados: A amostragem evidenciou a atuação efetiva dos agentes biológicos na contenção de pragas. Identificaram-se larvas de sirfídeos e joaninhas predando pulgões, percevejos predadores atuando sobre lagartas, além da emergência de micro-himenópteros parasitoides e incidência de fungos entomopatogênicos. O monitoramento registrou expressiva taxa de controle espontâneo, demonstrando a dependência do ecossistema local em relação à biodiversidade funcional e a eficácia da regulação biótica sem o emprego de agroquímicos. Considerações Finais: Conclui-se que os agentes biológicos nativos desempenham um papel fundamental na manutenção da sanidade da horta do CPM-PR. A adoção do controle conservativo eliminou a necessidade de defensivos sintéticos, enquanto o formato de laboratório vivo fortaleceu o ensino investigativo e a educação ambiental crítica, capacitando os estudantes na leitura sistêmica dos processos ecológicos.
Palavras-chave: Controle biológico conservativo. Insetos fitófagos. Agroecossistemas urbanos. Horta escolar.
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