Introdução: O ecossistema M-Health expandiu o acesso ao suporte psicológico por meio de teleterapia e aplicativos, mas a consolidação da Economia da Atenção impôs desafios à saúde mental. Plataformas de redes sociais empregam design persuasivo (scroll infinito e reforço intermitente) para capturar o sistema dopaminérgico, gerando ciclos compulsivos, infoxicação e ansiedade. No Brasil — país com altos índices de transtornos ansiosos —, investigar a responsabilidade do UX Design é crucial. A hipótese assume que o impacto psíquico decorre da arquitetura do design (ético versus persuasivo) e que a moderação do tempo de tela atua como fator de proteção. O estudo justifica-se pelo papel social de mitigar os riscos da hiperconectividade e promover escolhas digitais saudáveis. Objetivos: Analisar o impacto das interfaces no bem-estar psicológico. Especificamente, buscou-se mapear as potencialidades das ferramentas digitais e da Inteligência Artificial no cuidado psíquico; investigar os mecanismos de risco associados ao design persuasivo, como dependência e comparação social; e discutir fatores moderadores da transição entre uso saudável e patológico, avaliando a ética no design e a literacia digital. Materiais e Método: Pesquisa descritiva, exploratória e qualitativa básica, conduzida por revisão bibliográfica e documental em três fases: revisão integrativa da literatura em bases como SciELO e Google Acadêmico; análise documental de interfaces focando em padrões obscuros (dark patterns), recompensas dopaminérgicas e carga cognitiva; e síntese com categorização comparativa entre redes comerciais e aplicativos de bem-estar. Resultados: A literatura e as análises demonstram que, quando pautado pelo design ético, o UX sustenta ecossistemas de M-Health favoráveis, como os agentes conversacionais baseados em Terapia Cognitivo-Comportamental (ex.: Woebot), que reduzem o estigma e auxiliam no monitoramento emocional. Em contrapartida, redes comerciais utilizam mecanismos de retenção baseados no condicionamento operante, capturando a atenção do usuário e causando fadiga mental, hiperinformação e o fenômeno FOMO (Fear of Missing Out). Os achados preliminares indicam que interfaces minimalistas proporcionam ambientes de desaceleração que contrapõem a sobrecarga cognitiva do design persuasivo. Considerações Finais: O estudo conclui que a arquitetura do UX Design exerce papel ambivalente e decisivo na saúde mental. A transição de algoritmos predatórios para interfaces éticas orientadas ao controle do tempo de tela possui potencial para mitigar transtornos mentais e consolidar a tecnologia como aliada na promoção do bem-estar coletivo.
Palavras-chave: Saúde mental; UX Design; Infoxicação; Design ético; Economia da atenção.
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