Introdução: O acesso ao mercado financeiro historicamente atendeu às parcelas de maior renda, gerando assimetrias na educação financeira de populações vulneráveis. A expansão das fintechs democratizou o acesso a produtos de investimento, mas ampliou a exposição de adolescentes a riscos virtuais, fraudes e ao assédio predatório de apostas online (bets). Sob a ótica da economia comportamental, jovens tendem a priorizar recompensas imediatas devido ao viés do presente. O estudo justifica-se pela urgência de desmistificar a acumulação patrimonial por meio de uma contra-arquitetura de escolhas prática, utilizando aportes fracionados (a partir de R$ 1,00) como blindagem contra apelos de enriquecimento rápido. A hipótese assume que a inserção em uma rotina prática de micro-investimentos transforma a percepção de valor e o horizonte temporal dos jovens, substituindo o imediatismo pela previsibilidade do planejamento financeiro. Objetivos: O objetivo geral é propor e analisar um sistema de micro-investimentos recorrentes como ferramenta pedagógico-financeira para adolescentes. Objetivos: Propor a estruturação de um sistema de micro-investimentos recorrentes para adolescentes. Especificamente, buscou-se mapear o perfil socioeconômico e a exposição dos jovens a riscos virtuais, demonstrar o funcionamento prático dos juros compostos com aportes a partir de R$ 1,00 e analisar as alterações comportamentais na transição da mentalidade imediatista para a visão de longo prazo. Materiais e Método: Estudo descritivo e de intervenção pedagógico-financeira de abordagem quantitativa, dividido em três etapas: diagnóstico inicial por meio de questionário estruturado com vinte questões objetivas sobre hábitos digitais e finanças com alunos da rede pública; intervenção prática através de oficinas com simuladores e planilhas interativas confrontando o rendimento de renda fixa regulamentada (100% do CDI) com a volatilidade de jogos de azar; e análise quantitativa dos dados via estatística descritiva para avaliar mudanças na percepção de risco e comportamento de planejamento. Resultados: O diagnóstico revelou que 78% dos jovens já tiveram contato com plataformas de apostas ou promessas de ganho fácil, enquanto apenas 12% dominavam conceitos como juros compostos e inflação. Durante as simulações, ao visualizar a rentabilidade de aportes a partir de R$ 1,00, os alunos direcionaram o foco da impulsividade para a constância, confirmando a hipótese de que o contato prático desmistifica o mercado de capitais e reduz a vulnerabilidade ao assédio predatório digital. Considerações Finais: A pesquisa comprovou que a prática do micro-investimento fracionado é tecnicamente viável e eficaz para romper a inércia financeira juvenil. O ecossistema digital das fintechs, quando orientado pedagogicamente, transforma o smartphone em ferramenta de emancipação e resiliência econômica. Destaca-se como limitação o recorte amostral restrito, recomendando-se estudos longitudinais para acompanhar a sustentabilidade dos hábitos adquiridos.
Palavras-chave: Letramento financeiro juvenil; Micro-investimentos; Fintechs; Economia comportamental.
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