Introdução: A indústria calçadista convencional gera grande volume de resíduos de difícil degradação ao priorizar polímeros fósseis sintéticos, enquanto o setor agrícola nacional descarta toneladas de biomassa residual de cana-de-açúcar e bananeira. Em paralelo, pacientes com lesões crônicas, como fascite plantar e pé diabético, enfrentam escassez de dispositivos de tecnologia assistiva acessíveis que garantam ventilação e alívio de sobrecarga plantar. Objetivos: O estudo teve como objetivo geral desenvolver e avaliar a viabilidade técnica e biomecânica de solados ortopédicos sustentáveis confeccionados a partir de compósitos de bagaço de cana-de-açúcar e pseudocaule de bananeira sob o enfoque da economia circular, analisando a distribuição de pressão, porosidade e viabilidade socioeconômica. Materiais e Método: Trata-se de uma pesquisa experimental qualiquantitativa. As fibras de cana foram tratadas termicamente em solução alcalina de bicarbonato de sódio, enquanto as de bananeira foram obtidas por raspagem manual e secagem solar. Utilizou-se uma matriz aglutinante à base de cola PVA e bioplástico de amido de milho com glicerina e ácido acético, mantendo a proporção mássica de 60% de reforço fibroso e 40% de matriz. Foram formulados três corpos de prova: Protótipo A (80% cana / 20% banana), Protótipo B (20% cana / 80% banana) e Protótipo C (50% cana / 50% banana), moldados sob prensagem mecânica manual, curados por 72 horas e impermeabilizados com verniz atóxico à base d’água. Em seguida, realizaram-se ensaios mecânicos de compressão, flexão e porosidade Resultados: O Protótipo A revelou rigidez excessiva e propensão a microfissuras dinâmicas, ao passo que o B apresentou deformação plástica sob carga contínua. O Protótipo C obteve o melhor desempenho biomecânico ao harmonizar a capacidade de absorção de impactos da cana com a tenacidade das fibras de bananeira. A estrutura firme do Protótipo C redistribuiu adequadamente os picos de pressão nas regiões do calcâneo e metatarsos, enquanto sua porosidade favoreceu a aeração interna e a mitigação da umidade, além de apresentar custo produtivo substancialmente reduzido Considerações Finais: Conclui-se que a blenda híbrida em proporções equivalentes (Protótipo C) é tecnicamente viável e indicada para o suporte terapêutico podológico, unindo sustentabilidade ambiental e saúde pública ao democratizar o acesso a órteses de baixo custo originadas do reaproveitamento agroindustrial.
Palavras-chave: Economia circular; Fibras naturais; Solados ortopédicos; Tecnologia assistiva; Lesões crônicas.
Votação encerrada.