Introdução: A dependência global de combustíveis fósseis e os desafios da gestão de resíduos plásticos impulsionam a busca por soluções biotecnológicas sustentáveis. Nesse cenário, destaca-se a capacidade da bactéria Ideonella sakaiensis e de suas enzimas (PETase e MHETase) de degradar o Polietileno Tereftalato (PET) e o ácido 2-hidroxietil tereftálico (MHET), gerando subprodutos como o etilenoglicol e o ácido tereftálico. O aproveitamento da energia contida nesses monômeros surge como uma alternativa promissora, exigindo investigações sobre sua eficiência energética e viabilidade técnica. Objetivos: O objetivo geral do estudo foi analisar, comparar e avaliar a viabilidade de aproveitar a energia contida no plástico PET de forma limpa a partir dos produtos de sua degradação enzimática. Especificamente, buscou-se compreender as reações de quebra promovidas pelas enzimas, identificar os subprodutos combustíveis, comparar a eficiência da combustão direta do etilenoglicol em relação à sua conversão em biocombustível e determinar o balanço energético para aplicação em pequena ou industrial escala. Materiais e Método: Adotou-se uma abordagem bibliográfica e experimental-descritiva. Inicialmente, realizou-se um levantamento de literatura científica sobre os mecanismos enzimáticos da I. sakaiensis e as propriedades do etilenoglicol e do ácido tereftálico. Para a fase empírica e laboratorial, planejou-se o cálculo do calor de combustão dos monômeros e biocombustíveis derivados, ponderando os custos energéticos do processo de manufatura para aferir a eficiência energética líquida do sistema. Resultados: A revisão inicial permitiu mapear a reação de despolimerização e confirmar a viabilidade teórica dos subprodutos como insumos energéticos. Contudo, a ausência de empresas atuantes nesse segmento sugere, como hipótese preliminar, que o aproveitamento energético direto pode apresentar gargalos de eficiência em comparação à reciclagem química. A validação empírica da conversão energética e dos rendimentos de degradação permanece em fase de testes laboratoriais. Considerações Finais: Conclui-se, parcialmente, que a degradação enzimática do PET por Ideonella sakaiensis representa uma rota biotecnológica promissora para o manejo de resíduos, embora o seu uso para geração de energia exija cautela e posterior balanço de massa e energia. A continuidade do projeto focará no levantamento de dados experimentais para quantificar entradas e saídas energéticas, esclarecendo se a aplicação ideal reside na produção de biocombustíveis ou no fortalecimento da reciclagem química sustentável.
Palavras-chave: Etilenoglicol; Biotecnologia; Reciclagem química; Ideonella sakaiensis; Degradação de PET.
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