Introdução: O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) consolidou-se como a principal porta de acesso à educação superior no Brasil, exigindo competências que transcendem o domínio puramente factual. Diante das transformações históricas da matriz do exame, torna-se essencial investigar como as demandas intelectuais evoluíram ao longo do tempo. O estudo fundamenta-se na Taxonomia de Bloom Revisada (TBR), que organiza os processos cognitivos em seis níveis crescentes de complexidade: Lembrar, Compreender, Aplicar, Analisar, Avaliar e Criar. Objetivos: Analisar as demandas cognitivas das questões do ENEM em três marcos temporais (1998, 2011 e 2025) à luz da TBR, identificando a evolução histórica das habilidades requeridas e discutindo suas implicações para o ensino médio contemporâneo Materiais e Método: A pesquisa delineia-se por uma abordagem mista (quali-quantitativa), descritiva e exploratória, mediante procedimentos técnicos de pesquisa documental e análise de conteúdo. O corpus amostral é composto pelos cadernos de provas e gabaritos oficiais das edições selecionadas, segmentados pelas quatro áreas do conhecimento. Na atual Fase 1, cada item das edições de 1998 e 2025 foi lido, interpretado e categorizado independentemente pelos pesquisadores na Dimensão dos Processos Cognitivos da TBR, procedendo-se à tabulação descritiva de frequências absolutas e relativas, associada à interpretação qualitativa de itens representativos Resultados: Os resultados parciais revelam uma nítida transição na engenharia das questões. No ENEM inaugural de 1998 predominou amplamente o nível Compreender, pautado na interpretação direta de textos e gráficos simples. Já em 2025 constatou-se uma sofisticação cognitiva: as áreas de Ciências Humanas e Linguagens consolidaram o patamar de Analisar, exigindo inferência crítica e correlação ideológica, enquanto Ciências da Natureza e Matemática concentraram-se em Aplicar, demandando resolução contextualizada de problemas. Constatou-se, contudo, a ausência de itens nos níveis de Avaliar e Criar em ambos os anos, evidenciando uma restrição técnica intrínseca aos testes padronizados de múltipla escolha. Considerações Finais: Os achados preliminares ratificam a hipótese de complexificação do exame, indicando o uso tácito de princípios taxonômicos em harmonia com a psicometria contemporânea. Essas evidências apontam para a necessidade premente de a educação básica superar o ensino mnemônico, priorizando práticas pedagógicas investigativas e analíticas, abrindo caminho para a integração dos dados de 2011 na Fase 2.
Palavras-chave: ENEM; Taxonomia de Bloom; Avaliação educacional; Níveis cognitivos; Ensino Médio.
Votação encerrada.