Introdução: A expansão dos meios de pagamento digitais e a ostensiva influência do marketing nas redes sociais reconfiguraram as dinâmicas de consumo na adolescência — estágio de desenvolvimento marcado pela busca por autonomia e pela vulnerabilidade a estímulos imediatos. Diante desse cenário, torna-se premente compreender as particularidades dos hábitos financeiros de jovens com idades entre 13 e 18 anos e sua relação com o planejamento e a impulsividade. Objetivos: O estudo visou analisar o comportamento financeiro desse público, investigando a correlação entre alfabetização financeira, capacidade de planejamento e consumo impulsivo, bem como mapear os requisitos para a proposição de uma ferramenta tecnológica educativa voltada ao fortalecimento da autonomia e da organização financeira consciente. Materiais e Método: Adotou-se uma abordagem aplicada e quantitativa, de caráter descritivo-exploratório e procedimento de campo com delineamento transversal. O levantamento empírico (Fase 1 – Diagnóstico) foi realizado mediante a aplicação de formulário estruturado a uma amostragem de 90 adolescentes. O delineamento do projeto prevê quatro etapas sequenciais: diagnóstico inicial, desenvolvimento e prototipagem de aplicativo móvel, testes contínuos de usabilidade com a amostra e reavaliação de impacto pré e pós-intervenção tecnológica. Resultados: A etapa diagnóstica (N = 90) revelou um perfil em transição: embora haja intenção manifesta de poupar, o consumo impulsivo é prevalente, ratificado por altos índices de arrependimento pós-compra. Os principais fatores direcionadores do consumo identificados foram promoções e descontos (58,9%), vontade momentânea (57,8) e necessidade real (55,6%), além da forte influência das redes sociais (44,4%). A família despontou como a principal fonte de aprendizado financeiro, superando a escola. Os 100%dos participantes expressaram interesse em aprofundar conhecimentos na área, validando a proposição do aplicativo focado em controle de gastos, metas e alertas anti-impulso. Considerações Finais: Conclui-se que a acessibilidade digital e a volatilidade emocional favorecem decisões financeiras imediatas em detrimento do planejamento de longo prazo. Contudo, a receptividade universal da amostra evidencia que intervenções digitais personalizadas possuem elevado potencial para promover a educação financeira precoce, atenuar comportamentos impulsivos e consolidar hábitos de consumo conscientes.
Palavras-chave: Educação financeira; Adolescência; Planejamento financeiro; Consumo impulsivo; Hábitos financeiros.
Votação encerrada.