Introdução: O poliestireno expandido (EPS), conhecido popularmente como isopor, é um material muito utilizado em embalagens por ser leve e resistente. Entretanto, seu descarte representa um problema ambiental, pois ocupa grande volume, apresenta difícil degradação e possui baixo valor comercial para reciclagem.
Este projeto surgiu de uma situação observada no próprio Colégio Estadual Herbert de Souza. Após a aquisição de novos equipamentos para o laboratório de Ciências, uma grande quantidade de isopor utilizado nas embalagens ficou disponível para descarte. A partir dessa situação, os estudantes do Clube de Ciências começaram a investigar alternativas para reaproveitar esse resíduo em vez de encaminhá-lo ao lixo comum.
Uma das possibilidades encontradas foi utilizar o EPS na produção de tinta. O poliestireno pode ser dissolvido por solventes adequados, formando uma base viscosa capaz de produzir uma película. Assim, o projeto propõe utilizar D-limoneno como solvente e argila como pigmento mineral natural para desenvolver uma tinta sustentável, que posteriormente poderá ser aplicada nos bancos de concreto do pátio escolar.
Diante disso, a pesquisa busca responder à seguinte questão: é possível reaproveitar o isopor descartado pela escola para desenvolver uma tinta com características adequadas de aplicação, cobertura, aderência e resistência, transformando um resíduo em um produto útil para o próprio ambiente escolar? Objetivos: Desenvolver e avaliar uma tinta sustentável produzida a partir do reaproveitamento de resíduos de isopor, utilizando D-limoneno como solvente e argila como pigmento mineral natural. Investigar diferentes proporções de isopor e D-limoneno; avaliar a influência da quantidade de isopor sobre as características da mistura; verificar a possibilidade de utilização da argila como pigmento; analisar o tempo de secagem, aderência, cobertura, resistência à água, odor, textura, facilidade de aplicação e estabilidade da cor; comparar o comportamento da tinta em diferentes superfícies; selecionar a formulação com melhor desempenho; utilizar ferramentas digitais e Inteligência Artificial de forma ética para auxiliar na organização e análise dos dados; e avaliar a possibilidade de aplicação da tinta nos bancos de concreto do pátio escolar. Materiais e Método: A pesquisa é experimental, com abordagem mista, e está sendo desenvolvida no laboratório de Ciências do Colégio Estadual Herbert de Souza. Inicialmente, os resíduos de isopor provenientes das embalagens dos equipamentos adquiridos pela escola são coletados, separados, higienizados, secos e fragmentados. Para a produção experimental da tinta, serão testadas formulações contendo diferentes proporções de isopor em D-limoneno: 10%, 15% e 20%. Após a dissolução, será adicionada argila moída e peneirada como pigmento mineral natural, podendo ser utilizadas argilas de diferentes tonalidades. As formulações serão aplicadas com pincel em amostras de papelão, madeira e placas de cimento. Após a aplicação, serão avaliados o tempo de secagem ao toque, aderência, cobertura, resistência à água, odor, textura, facilidade de aplicação e estabilidade da cor. As observações serão registradas por meio de fotografias, diário de bordo e tabelas comparativas. Ferramentas digitais serão utilizadas para organizar e comparar os dados, enquanto a Inteligência Artificial será empregada de forma ética como apoio à organização das informações, revisão dos textos e comunicação dos resultados, sem substituir a realização dos experimentos e a interpretação dos estudantes. Ao final, a formulação que apresentar melhor desempenho será selecionada para aplicação experimental nos bancos de concreto do pátio da escola. Resultados: Até o momento, os estudantes identificaram o acúmulo de isopor proveniente das embalagens dos novos equipamentos do laboratório como um problema relacionado ao descarte de resíduos no ambiente escolar. A partir dessa observação, iniciou-se a investigação de alternativas para seu reaproveitamento e foi definida a proposta de transformação desse material em uma tinta experimental. Foram iniciadas a coleta, separação, higienização e organização do isopor disponível na escola, além da pesquisa sobre as propriedades do poliestireno expandido, do D-limoneno e de pigmentos minerais. A pesquisa possibilitou estabelecer três formulações iniciais, contendo 10%, 15% e 20% de isopor em relação ao solvente, que serão comparadas experimentalmente. Também foram definidos os principais critérios para avaliação das formulações: viscosidade, facilidade de aplicação, tempo de secagem, aderência, cobertura, resistência à água, odor, textura e estabilidade da cor. A argila foi selecionada como pigmento mineral natural e o concreto foi definido como uma das principais superfícies de interesse, considerando a proposta de utilização do produto nos bancos do pátio escolar. As próximas etapas experimentais permitirão comparar as formulações e determinar qual apresenta melhor desempenho para a aplicação proposta. Considerações Finais: O desenvolvimento do projeto demonstra como um problema observado no cotidiano escolar pode dar origem a uma investigação científica. O isopor proveniente das embalagens dos equipamentos do laboratório, que inicialmente seria apenas um resíduo para descarte, tornou-se objeto de estudo para o desenvolvimento de um produto com possível aplicação no próprio ambiente escolar. A pesquisa integra conhecimentos de Química, sustentabilidade e tecnologia ao investigar a dissolução do poliestireno em D-limoneno, a utilização de argila como pigmento e as propriedades necessárias para a obtenção de uma tinta. Além disso, possibilita aos estudantes desenvolver habilidades relacionadas à formulação de hipóteses, experimentação, observação, registro e análise de resultados. Nesta etapa, conclui-se que a proposta apresenta potencial para transformar um resíduo gerado pela própria escola em um produto de utilidade coletiva. Entretanto, a viabilidade da tinta ainda dependerá dos resultados dos testes de aderência, cobertura, secagem, resistência e estabilidade das diferentes formulações. A continuidade dos experimentos permitirá selecionar a composição mais adequada e verificar sua aplicação nos bancos de concreto do pátio escolar.
Palavras-chave: Poliestireno expandido; Tinta sustentável; D-limoneno; Reaproveitamento; Sustentabilidade.
Votação encerrada.