Introdução: A saúde e o adoecimento humano são fortemente influenciados por determinantes socioeconômicos e culturais. No Brasil, o racismo opera como um determinante social central, expondo a população negra a maior vulnerabilidade e precariedade na assistência à saúde. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) adote a equidade como princípio fundamental, o racismo institucional manifesta-se de forma implícita no atendimento por meio de estereótipos, subestimação da dor e negligência terapêutica, impondo barreiras ao diagnóstico precoce de condições prevalentes como anemia falciforme, hipertensão e diabetes. Objetivos: O objetivo geral do estudo foi compreender os determinantes da exclusão no atendimento e no acesso à saúde da população negra no Brasil. Especificamente, buscou-se identificar as disparidades raciais nos serviços de saúde, analisar os mecanismos do racismo institucional no ambiente clínico, mapear as barreiras de acesso e avaliar os impactos das desigualdades raciais nos desfechos epidemiológicos desse grupo. Materiais e Método: Adotou-se uma metodologia exploratória e descritiva de abordagem mista (qualitativa e quantitativa), baseada em pesquisa bibliográfica e documental. A vertente qualitativa fundamentou-se em referenciais de saúde coletiva, bioética e relações raciais, enquanto a abordagem quantitativa ancorou-se na análise de relatórios estatísticos e indicadores de mortalidade e morbidade provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do DATASUS. Resultados: A análise dos dados e da literatura confirmou que a população preta e parda enfrenta desvantagens estruturais em saneamento, habitação e cobertura assistencial. No âmbito clínico, identificou-se a presença de viés implícito por parte dos profissionais, exemplificado pela subestimação da dor e pelo menor uso de anestesia em procedimentos obstétricos em mulheres negras. Constatou-se também a subnotificação de doenças falciformes e a baixa efetividade material da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) devido a entraves orçamentários e à falta de capacitação das redes de atenção primária. Considerações Finais: Conclui-se que o racismo estrutural e institucional atua como um mecanismo seletivo no SUS, perpetuando a precariedade assistencial e piores desfechos clínicos para a população negra. A confirmação dessa hipótese reforça a urgência de fortalecer a implementação da PNSIPN, reformular os currículos de formação em saúde e incluir marcadores étnico-raciais na gestão epidemiológica, prevendo-se pesquisas de campo como próximos passos do trabalho.
Palavras-chave: Disparidade racial; Sistema único de saúde; Racismo institucional; Equidade em saúde.
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