Introdução: A agricultura moderna depende amplamente do uso de agrotóxicos para o
controle de pragas, contribuindo para a manutenção da produtividade agrícola.
Entretanto, o uso contínuo desses produtos está associado a impactos ambientais e
riscos à saúde humana, incluindo contaminação de solos e recursos hídricos,
intoxicações e redução da biodiversidade (LOPES; ALBUQUERQUE, 2018; LIMA et
al., 2025). Diante desse cenário, torna-se necessário desenvolver alternativas que
possibilitem o manejo eficiente de pragas com menor impacto ambiental.
O Brasil destaca-se como um dos maiores produtores mundiais de laranja,
gerando grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente cascas e
bagaços, que frequentemente são descartados ou subutilizados. Esses resíduos
apresentam elevado potencial de aproveitamento por conterem compostos bioativos,
como o limoneno, reconhecido por suas propriedades repelentes e inseticidas (PIRES
et al., 2018; ALEXANDRE, 2020).
Além disso, o fungo entomopatogênico Beauveria bassiana tem sido
amplamente utilizado em programas de controle biológico devido à sua capacidade
de infectar e eliminar diferentes espécies de insetos-praga, constituindo uma
alternativa mais sustentável aos inseticidas convencionais (SOUSA; SILVA; SOARES,
2025). No entanto, ainda são limitados os estudos que investigam a associação entre
compostos bioativos obtidos de resíduos cítricos e fungos entomopatogênicos em
uma única formulação bioinseticida, especialmente utilizando métodos de obtenção
acessíveis e de baixo custo.
Dessa forma, surge a seguinte questão de pesquisa: a associação entre
compostos bioativos extraídos de cascas de laranja e o fungo Beauveria bassiana
pode aumentar a eficiência do controle de pragas agrícolas quando comparada ao
uso isolado do fungo ou aos tratamentos convencionais?
A realização desta pesquisa justifica-se pelo potencial de desenvolver uma
alternativa sustentável para o manejo de pragas agrícolas, aliando controle biológico,
reaproveitamento de resíduos agroindustriais e redução da dependência de
agrotóxicos sintéticos. Além da relevância científica, o projeto apresenta potencial
impacto ambiental, social e econômico, contribuindo para a valorização de resíduos
da cadeia citrícola e para a disseminação de práticas agrícolas mais sustentáveis. A
proposta também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, especialmente os ODS 12 (Consumo e Produção
Responsáveis) e ODS 15 (Vida Terrestre). Objetivos: OBJETIVO GERAL Desenvolver e avaliar a eficiência de um bioinseticida sustentável à base de compostos bioativos obtidos de cascas de laranja associados ao fungo entomopatogênico Beauveria bassiana para o controle de pragas agrícolas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Desenvolver formulações bioinseticidas utilizando compostos obtidos de cascas de laranja por diferentes métodos de preparo; • Associar as formulações desenvolvidas ao fungo entomopatogênico Beauveria bassiana para obtenção do bioinseticida CitroBio; • Avaliar a estabilidade inicial e a viabilidade técnica das formulações produzidas; • Verificar a ocorrência de possíveis efeitos fitotóxicos nas plantas submetidas aos tratamentos; • Comparar a eficiência do CitroBio com a aplicação isolada de Beauveria bassiana, com um agrotóxico convencional e com um grupo controle sem tratamento; • Avaliar a mortalidade e o tempo de ação dos tratamentos sobre as pragas-alvo; • Analisar o potencial da associação entre compostos cítricos e Beauveria bassiana como alternativa sustentável ao uso de agrotóxicos sintéticos. Materiais e Método: A pesquisa caracteriza-se como aplicada, experimental e de abordagem quali quantitativa, tendo como objetivo desenvolver e avaliar um bioinseticida sustentável à base de compostos bioativos obtidos de cascas de laranja associados ao fungo entomopatogênico Beauveria bassiana. Inicialmente, foram desenvolvidas duas formulações experimentais. Na primeira, cinco cascas de laranja fragmentadas foram submetidas à fermentação em recipiente contendo 500 mL de água e 50 g de açúcar por sete dias em temperatura ambiente. Na segunda formulação, utilizou-se água aquecida, cascas e bagaço de laranja, visando reduzir o tempo de preparo e favorecer a dispersão dos compostos bioativos presentes no material vegetal. Após a obtenção dos extratos, foram adicionados 2 mL de suspensão de Beauveria bassiana em cada formulação, originando o bioinseticida denominado CitroBio. A primeira etapa experimental consistiu no cultivo de mudas de couve distribuídas em grupos submetidos a diferentes tratamentos. Foram avaliadas as formulações desenvolvidas, um tratamento com agrotóxico comercial e um grupo sem aplicação de produtos agrícolas. Durante o período de observação, fatores externos, como chuvas intensas, e limitações no delineamento experimental comprometeram a comparação dos resultados, tornando necessária a reformulação dos testes. Na etapa atualmente em desenvolvimento, as mudas de couve foram organizadas em cinco grupos experimentais: G1 – formulação obtida com água aquecida; G2 – formulação fermentada; G3 – agrotóxico comercial (Diazitop); G4 – Beauveria bassiana isolada; e G5 – controle negativo, sem aplicação de produtos. Os tratamentos são aplicados a cada dois dias, sendo avaliados possíveis efeitos fitotóxicos, como alterações foliares, necroses, desidratação e comprometimento do desenvolvimento vegetal. Posteriormente, será realizado um teste de eficiência biológica utilizando pulgões (Hemiptera: Aphididae) em hortaliças. O delineamento experimental será composto por quatro tratamentos: controle negativo, Beauveria bassiana isolada, CitroBio e agrotóxico convencional, todos em triplicata. As avaliações serão realizadas após 24, 48 e 72 horas, considerando mortalidade das pragas, tempo de ação dos tratamentos e alterações comportamentais observadas nos insetos. Os dados serão organizados em tabelas, gráficos e registros fotográficos para análise comparativa dos resultados. Resultados: O desenvolvimento do CitroBio possibilitou a obtenção de duas formulações experimentais produzidas a partir de compostos bioativos extraídos de cascas de laranja por métodos distintos, utilizando extração com água aquecida e fermentação natural, posteriormente associadas ao fungo entomopatogênico Beauveria bassiana. Os testes preliminares realizados em mudas de couve permitiram verificar a viabilidade de aplicação das formulações e evidenciaram o potencial da associação entre resíduos cítricos e agentes de controle biológico para o desenvolvimento de um bioinseticida sustentável. Os resultados preliminares obtidos nessa primeira fase também permitiram identificar limitações relacionadas às condições climáticas e ao delineamento experimental inicialmente adotado, dificultando comparações consistentes entre os tratamentos. Essas observações subsidiaram a reformulação do protocolo experimental, resultando na ampliação do número de grupos comparativos, na padronização das condições de cultivo e na definição de novos parâmetros de avaliação, tornando a pesquisa metodologicamente mais robusta. A etapa atualmente em desenvolvimento utiliza vinte mudas de couve (Brassica oleracea) distribuídas em cinco grupos experimentais, permitindo comparar duas formulações do CitroBio, um tratamento contendo apenas Beauveria bassiana, um inseticida comercial à base de óleo de neem e um grupo controle sem aplicação de produtos. As avaliações são realizadas semanalmente por meio da mensuração da altura das plantas, contagem do número de folhas, observação de danos foliares, identificação de sintomas de fitotoxicidade e registros fotográficos padronizados, possibilitando uma análise comparativa entre os diferentes tratamentos. Espera-se que os resultados obtidos nessa etapa forneçam evidências mais consistentes sobre a eficiência das formulações desenvolvidas, permitindo verificar seu potencial como alternativa sustentável aos inseticidas sintéticos. Além de contribuir para o controle de pragas agrícolas, o projeto promove o aproveitamento de resíduos da cadeia citrícola e incentiva o desenvolvimento de bioinsumos alinhados aos princípios da economia circular e da agricultura sustentável. Considerações Finais: O desenvolvimento do CitroBio evidencia o potencial da utilização de compostos bioativos extraídos de cascas de laranja associados ao fungo entomopatogênico Beauveria bassiana como alternativa sustentável para o controle de pragas agrícolas. Além de promover o aproveitamento de resíduos da cadeia citrícola, a pesquisa contribui para a busca por bioinsumos de menor impacto ambiental, alinhados aos princípios da economia circular e da agricultura sustentável. Os resultados obtidos na etapa preliminar permitiram não apenas verificar a viabilidade das formulações desenvolvidas, mas também identificar aspectos que poderiam ser aprimorados no delineamento experimental. A reformulação da metodologia, com a ampliação dos grupos experimentais, a inclusão de tratamentos comparativos e a padronização dos parâmetros de avaliação, fortaleceu o rigor científico da pesquisa e demonstrou a importância da análise crítica dos resultados como parte do processo de construção do conhecimento. Dessa forma, além do desenvolvimento das formulações, o projeto contribuiu para o estabelecimento de um protocolo experimental mais robusto para a avaliação de bioinseticidas. Com a continuidade dos experimentos, será possível comparar o desempenho das diferentes formulações do CitroBio em relação ao inseticida comercial, ao uso isolado de Beauveria bassiana e ao grupo controle, produzindo evidências mais consistentes sobre sua eficiência no controle de pragas agrícolas. Os resultados obtidos poderão contribuir para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis aplicáveis à agricultura, reforçando o potencial dos bioinsumos obtidos a partir de resíduos agroindustriais e evidenciando o papel da iniciação científica na construção de soluções inovadoras para desafios ambientais e produtivos.
Palavras-chave: Controle biológico, Bioinseticida, Resíduos cítricos.
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