Introdução: Os medicamentos genéricos são fundamentais para o acesso à saúde no Brasil, porém a ausência de padronização entre os volumes prescritos pelos profissionais de saúde e as quantidades comercializadas nas embalagens farmacêuticas tem gerado desperdício financeiro relevante e riscos sanitários, como o armazenamento inadequado de excedentes e a automedicação. Objetivos: Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar as implicações financeiras e sanitárias decorrentes da incompatibilidade entre as prescrições médicas e as apresentações comerciais de medicamentos genéricos, identificando o nível de compatibilidade posológica e quantificando o impacto econômico gerado pelas sobras de tratamento. Materiais e Método: A pesquisa caracterizou-se como um estudo aplicado, de abordagem quanti-qualitativa e objetivos exploratórios, descritivos e explicativos, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica sobre as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e de procedimentos documentais e de campo. Foram analisadas 50 prescrições médicas reais, referentes a tratamentos não contínuos, coletadas junto à Central de Medicamentos do município de Porto União (PR), no período de 5 a 27 de agosto de 2025. Os dados relativos ao princípio ativo, volume prescrito, quantidade disponível por embalagem comercial e preço de varejo praticado em grandes redes farmacêuticas foram organizados em planilha eletrônica, o que permitiu calcular o excedente físico e financeiro gerado em cada tratamento Resultados: Os resultados mostraram que apenas cerca de um terço das prescrições apresentou compatibilidade exata com as embalagens comerciais disponíveis, gerando um prejuízo superior a R$ 2.100,00 na amostra estudada. Ao projetar essas taxas para a realidade macroeconômica nacional, destacaram-se perdas potenciais expressivas para a Dipirona Sódica 500 mg, de aproximadamente R$ 187,3 milhões, o Omeprazol 20 mg, com R$ 54,7 milhões, e o Alprazolam 1 mg, com R$ 48,4 milhões, entre outros fármacos analisados, totalizando cerca de R$ 368,2 milhões em desperdício estimado. Conclui-se que a rigidez das embalagens comerciais frente às necessidades posológicas reais representa uma relevante disfunção microeconômica do setor farmacêutico brasileiro, além de ampliar os riscos à segurança do paciente decorrentes do acúmulo domiciliar de medicamentos. Considerações Finais: Os resultados reforçam, portanto, a importância de políticas públicas voltadas ao fracionamento e à padronização regulatória das embalagens pela ANVISA, com vistas a reduzir o desperdício de recursos e promover maior eficiência na utilização dos recursos do sistema de saúde brasileiro.
Palavras-chave: Desperdício de medicamentos; Medicamentos genéricos; Impacto financeiro; Saúde Pública.
Votação encerrada.