Introdução: A expansão da infraestrutura energética na Amazônia brasileira esteve historicamente associada a projetos de grande porte concebidos sob a lógica do desenvolvimento nacional e da integração territorial. Durante o período militar (1964–1985), a implementação de empreendimentos hidrelétricos foi intensificada como estratégia para promover o crescimento econômico, garantir a segurança energética e estimular a ocupação da região amazônica. Nesse contexto, a Usina Hidrelétrica de Balbina, localizada no rio Uatumã, no estado do Amazonas, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos das contradições entre planejamento estatal, engenharia de infraestrutura e sustentabilidade socioambiental (Fearnside, 2019). Objetivos: O objetivo geral é analisar a relação de causalidade entre as decisões de engenharia do projeto, tomadas durante o regime militar, e seus desdobramentos regionais. Materiais e Método: A metodologia adotada é de abordagem quali-quanti, de natureza teórica, fundamentada em análise bibliográfica e levantamento de dados técnicos em documentos históricos e relatórios de órgãos setoriais. Resultados: Os resultados indicam que a subestimação de variáveis hidrodinâmicas e a negligência quanto às especificidades do relevo amazônico resultaram em baixa eficiência energética e severos impactos ecológicos, como a metanização da água e a fragmentação de habitats. Considerações Finais: Conclui-se que o caso de Balbina serve como um paradigma negativo essencial para reorientar o planejamento energético contemporâneo na Amazônia, exigindo a integração indissociável entre viabilidade técnica, memória histórica e justiça socioambiental.
Palavras-chave: Amazônia, Eficiência energética, Impactos socioambientais.
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