Introdução: O consumo de alimentos ultraprocessados representa 24,7% da dieta de crianças menores de cinco anos no Brasil e está associado ao aumento da obesidade infantil. Esses produtos utilizam recursos visuais como cores hipersaturadas, personagens, mascotes e elementos lúdicos, que influenciam as preferências alimentares de um público com menor capacidade crítica. No Brasil, a RDC 429/2020 da ANVISA tornou obrigatórios os selos frontais de advertência, mas não regula os demais elementos gráficos das embalagens. Diante desse cenário, investigou-se quais elementos visuais são mais utilizados para atrair o público infantil e de que forma o design poderia reduzir esse apelo. Objetivos: A partir dessa questão, o estudo teve como objetivo analisar os elementos visuais das embalagens frontais de ultraprocessados amplamente consumidos por crianças brasileiras e elaborar um guia de diretrizes visuais para reduzir o apelo infantil, relacionando as propostas a regulamentações nacionais e internacionais. Materiais e Método: Para alcançar esse objetivo, desenvolveu-se pesquisa qualitativa, aplicada e exploratório-descritiva, conduzida por análise documental. Selecionou-se uma amostra intencional de oito produtos das categorias mais consumidas por crianças brasileiras. As imagens frontais oficiais, obtidas em abril de 2026, foram avaliadas segundo cinco critérios: paleta de cores, personagens ou mascotes, apelo emocional, tipografia e recursos lúdicos, com classificação da intensidade do apelo em escala de um a três. Os padrões identificados e as regulamentações do Chile, do Reino Unido e do Brasil fundamentaram seis diretrizes visuais, aplicadas ao redesign de três embalagens com auxílio de inteligência artificial. Resultados: A análise identificou apelo infantil alto ou muito alto em sete dos oito produtos. Personagens ou mascotes apareceram em sete embalagens, cores hipersaturadas em oito e elementos lúdicos em seis, enquanto três produtos associaram alegações de saúde a itens com perfil nutricional desfavorável, caracterizando o halo de saudabilidade. Com base nesses achados, as diretrizes orientam a limitação de cores, a retirada de personagens, o uso de tipografia neutra, a eliminação de brindes e gamificação, a restrição de associações enganosas com saúde e o maior destaque dos selos de advertência. Os redesigns demonstraram como as embalagens podem se tornar mais neutras sem perder a identificação do produto. Considerações Finais: Esses resultados indicam que o apelo visual não decorre do tipo de alimento, mas da forma como ele é apresentado. Assim, o guia proposto contribui para o debate sobre a regulamentação do marketing alimentar infantil e reforça o design como ferramenta de saúde pública, tendo como próxima etapa a validação das diretrizes com o público infantil.
Palavras-chave: Alimentação infantil; Marketing alimentar; Comportamento do consumidor.
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