Introdução: O descarte inadequado de resíduos plásticos é um problema ambiental relevante: em 2024, o Brasil gerou 4,82 milhões de toneladas de resíduos plásticos pós-consumo, dos quais apenas 21% foram destinados à reciclagem mecânica. Entre eles estão as tampinhas de garrafa, produzidas majoritariamente em Polietileno de Alta Densidade (PEAD), termoplástico que pode ser refundido sem perda significativa de propriedades, mas que raramente recebe destinação adequada. Diante disso, investigou-se: é possível desenvolver um sistema modular de revestimento de parede funcional e customizável a partir da fusão de tampinhas plásticas pós-consumo? Objetivos: O objetivo geral foi desenvolver e avaliar um protótipo de sistema modular de revestimento de parede produzido com tampinhas reutilizadas, determinando os parâmetros de temperatura e tempo de fusão, desenvolvendo moldes com geometria de encaixe, avaliando as propriedades físicas das placas obtidas e verificando a viabilidade de montagem e reconfiguração dos painéis. Materiais e Método: Trata-se de pesquisa aplicada e experimental. As tampinhas foram coletadas por campanha na comunidade escolar, higienizadas com solução de hipoclorito de sódio, secas, separadas por cor e pesadas em balança de precisão. Para o primeiro protótipo, utilizou-se forma metálica de 21 × 10 cm aquecida em estufa de esterilização a 150°C, temperatura elevada a 160°C diante da fusão parcial observada. O molde foi preenchido em seis camadas sucessivas, totalizando 210,3 g de PEAD, com resfriamento lento no interior da estufa desligada. Resultados: A placa foi desmoldada sem necessidade de força adicional, com dimensões finais de 19,5 × 9,0 × 2,0 cm e massa de 205 g, retração de aproximadamente 7% em relação à forma, o que favoreceu o desmolde espontâneo. Manteve-se plana, sem empenamento, com elevada rigidez mecânica e superfície lisa. As cores não se homogeneizaram: cada região preservou sua tonalidade original, formando curvas orgânicas semelhantes a padrões de mármore. Como limitações, registraram-se a aderência de adesivo remanescente na forma, impressões em relevo das marcas das tampinhas e rebarbas nas bordas. Considerações Finais: Conclui-se ser tecnicamente viável produzir placas rígidas e esteticamente expressivas a partir de tampinhas pós-consumo, atendendo aos objetivos desta primeira fase. A preservação dos padrões cromáticos indica que o arranjo das tampinhas no molde pode ser empregado como recurso de design. As próximas etapas envolvem a fusão com tampinhas trituradas e o desenvolvimento dos moldes de encaixe, contribuindo para alternativas de revestimento alinhadas à economia circular.
Palavras-chave: PEAD; Reciclagem mecânica; Economia circular.
Votação encerrada.